Meio/Ideia: Lula mantém vantagem com 45% das intenções de voto contra 40% de Flávio Bolsonaro no 2° turno
Brasília — Às vésperas das convenções partidárias, a disputa pela Presidência da República segue marcada pela polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira (8) mostra que o petista mantém vantagem em um eventual segundo turno, com 45% das intenções de voto, contra 40% do parlamentar. Em relação ao levantamento anterior, realizado no fim de maio, ambos oscilaram dentro da margem de erro, indicando estabilidade no cenário eleitoral.

Os números mostram que a liderança de Lula continua sustentada por segmentos específicos do eleitorado. O presidente amplia a vantagem entre as mulheres, onde alcança 50,4% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 34,2%. Entre os homens, o cenário se inverte: o senador aparece à frente, com 46,3%, contra 39,2% do petista. Para a CEO do Ideia, Cila Shulman, o voto feminino é hoje o principal diferencial da disputa presidencial. “A principal diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro vem exatamente do gap de gênero. O voto feminino, se as eleições fossem hoje, seria fundamental para a reeleição do presidente Lula”, afirma.
A segmentação também aparece nos recortes de idade, renda e região. Flávio Bolsonaro lidera entre os eleitores de 16 a 34 anos e apresenta vantagem entre aqueles com renda superior a um salário mínimo, sobretudo na faixa acima de cinco salários mínimos. Lula, por outro lado, mantém ampla dianteira entre os brasileiros com renda de até um salário mínimo e entre os eleitores com mais de 35 anos, além de preservar sua principal base eleitoral no Nordeste, onde soma 62,7% das intenções de voto. O senador lidera nas regiões Sul e Norte, enquanto o Centro-Oeste permanece favorável ao presidente. No Sudeste, maior colégio eleitoral do país, os dois aparecem em situação de equilíbrio.
O levantamento também confirma a consolidação da divisão religiosa observada nas pesquisas mais recentes. Lula mantém vantagem expressiva entre os católicos, enquanto Flávio Bolsonaro concentra o apoio do eleitorado evangélico, segmento em que alcança 61,1% das intenções de voto.
No primeiro turno, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem isolados na liderança tanto na pesquisa espontânea quanto na estimulada. Na simulação principal, o presidente registra 40,4% das intenções de voto, contra 32% do senador. Em um cenário alternativo, com Michelle Bolsonaro como candidata do campo bolsonarista, Lula mantém o mesmo percentual, enquanto a ex-primeira-dama aparece com 29,4%. Nenhum dos demais nomes testados ultrapassa um dígito.

A pesquisa também avaliou o peso político de Michelle Bolsonaro. Sem que qualquer nome fosse apresentado aos entrevistados, a ex-primeira-dama foi a personalidade mais citada quando os eleitores responderam quem seria hoje a mulher mais poderosa do Brasil. Para o fundador do Ideia, Mauricio Moura, o resultado evidencia sua relevância no cenário nacional. “Não é trivial ser apontada espontaneamente por 15,4% do eleitorado como a mulher mais poderosa do Brasil. É um sinal forte do seu peso político”, avalia.
Além disso, o vídeo em que Michelle Bolsonaro tornou públicas divergências com Flávio Bolsonaro foi acompanhado por mais da metade dos entrevistados. Entre aqueles que tiveram conhecimento do episódio, a maioria considera que as declarações da ex-primeira-dama eram total ou parcialmente verdadeiras, embora o caso tenha produzido impacto limitado sobre sua credibilidade.
Já os desdobramentos envolvendo o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), e o caso Banco Master produziram efeitos negativos para ambos os campos políticos. Segundo a pesquisa, 17,3% dos entrevistados afirmaram que a investigação envolvendo o senador petista reduziu a disposição de votar em Lula. No caso do áudio atribuído a Flávio Bolsonaro, 29,5% disseram que o episódio diminuiu a probabilidade de apoiar o senador nas urnas.
Apesar da predominância de Lula e Flávio Bolsonaro na disputa, o levantamento aponta que parcela significativa do eleitorado continua em busca de uma alternativa. Um em cada quatro entrevistados afirma preferir um candidato moderado, distante tanto do governo quanto do bolsonarismo. Ao mesmo tempo, a maioria defende que o próximo presidente seja um político experiente, indicando que o desejo por renovação não necessariamente está associado a candidaturas sem trajetória pública.
Com pouco espaço para mudanças expressivas no curto prazo, a pesquisa reforça um cenário de polarização consolidada e sugere que a disputa de 2026 tende a ser definida, mais uma vez, pela capacidade dos dois principais grupos políticos de ampliar apoio para além de suas bases tradicionais.
A pesquisa ouviu 1.500 pessoas entre 3 e 6 de julho de 2026. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-05628/2026-BRASIL.