Brasil amplia acordos comerciais e bate recordes de exportações e importações, diz secretária do MDIC
BRASÍLIA— A secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Tatiana Prazeres, afirmou nesta quarta-feira (4) que o Brasil ampliou historicamente sua rede de acordos comerciais nos últimos três anos e registrou recordes de exportações e importações em 2026. As declarações foram feitas durante a abertura do Fórum da Diplomacia Industrial, na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília.
“Nos últimos três anos, o Brasil concluiu, por meio do Mercosul, negociações comerciais com a União Europeia, com a EFTA e com Singapura. E, mais importante, nós não apenas concluímos essas negociações, mas conseguimos avançar rapidamente na implementação desses acordos”, afirmou a secretária.
Segundo Tatiana, os primeiros resultados do acordo com a União Europeia, em aplicação provisória desde 1º de maio, são positivos. Entre maio e setembro, as exportações brasileiras contempladas pelo tratado cresceram 21% em relação ao mesmo período do ano passado.
“E não são oportunidades apenas para o agro. Nós temos destaques muito positivos na indústria de transformação, por exemplo, de transformadores elétricos a produtos químicos, produtos que cresceram na nossa pauta exportadora para o bloco europeu”, disse.
A secretária ressaltou que os acordos comerciais ampliam as oportunidades de exportação, mas também favorecem a competitividade da indústria brasileira ao facilitar o acesso a insumos e equipamentos importados. “O acordo cria, sim, oportunidades de exportação, mas também favorece a competitividade da produção no Brasil, por meio de acesso a insumos e equipamentos mais baratos, mais competitivos, que vêm do bloco europeu”, destacou.
Tatiana também destacou a importância da segurança jurídica e da previsibilidade para a atração de investimentos e o fortalecimento das parcerias internacionais. “A previsibilidade é um fator relevante para a atração de investimentos no Brasil, para a realização de parcerias com países da União Europeia e para o crescimento do comércio de serviços”, disse.
Sobre Singapura, a secretária afirmou que o acordo comercial, em vigor desde 1º de agosto, favorece a inserção brasileira nos mercados asiáticos. “Singapura, a propósito, é mais importante do que muitos pensam no nosso comércio exterior, o sétimo destino das nossas exportações, com muitas oportunidades ainda para setores que não participam desse mercado”, ressaltou.
Já o acordo com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) entrou em vigor progressivamente. Desde 1º de outubro, o tratado passou a valer entre Brasil e Islândia. Em 1º de novembro, foi a vez da Noruega. O bloco reúne países com PIB conjunto de US$ 1,4 trilhão.
A secretária ponderou, porém, que a ampliação dos acordos não representa uma abertura comercial abrupta. “Esses acordos não representam uma abertura bruta. Eles foram negociados com um cronograma de desgravação tarifária que permite a adaptação dos setores produtivos a essas novas condições de competição com o cenário externo”, observou.
No acordo entre Mercosul e União Europeia, por exemplo, 45% dos produtos incluídos na oferta brasileira terão as tarifas de importação eliminadas em um prazo de dez anos ou mais. Segundo Tatiana, os tratados também preservam instrumentos de salvaguarda para proteger a indústria nacional, caso necessário.
A segunda mensagem da secretária foi a necessidade de fortalecer os instrumentos de defesa comercial. Ela afirmou que o cenário internacional é marcado por tensões geopolíticas, aumento do protecionismo e uso crescente de ferramentas de política comercial para objetivos não comerciais.
“Nesse contexto, é fundamental que o Brasil disponha de instrumentos modernos e eficazes para enfrentar práticas desleais de comércio e situações que possam causar dano à indústria brasileira”, disse.
Tatiana também destacou a parceria entre o MDIC e a CNI para modernizar os instrumentos de defesa comercial. Segundo ela, o acordo de cooperação técnica firmado entre as instituições já produziu avanços no diálogo com o setor industrial, com o objetivo de dar respostas mais rápidas às demandas das empresas, respeitando os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil.
Por fim, a secretária ressaltou a resiliência do comércio exterior brasileiro diante das dificuldades no cenário internacional, especialmente nas relações comerciais com os Estados Unidos. Ela reconheceu o trabalho da CNI na interlocução com o governo americano para superar os obstáculos que afetam as exportações brasileiras.
“A despeito de todas essas dificuldades, nunca o Brasil exportou tanto entre o período de janeiro e setembro de qualquer ano como fez neste ano de 2026. Nós estamos batendo recordes de exportações, mas também recordes de importações”, disse.
Para Tatiana, a intensificação dos fluxos comerciais é positiva desde que contribua para a geração de emprego, renda e desenvolvimento industrial. “A intensificação do fluxo de comércio do Brasil nos interessa, à medida em que ele seja qualificado, em que contribua para a geração de emprego, renda e desenvolvimento industrial no Brasil”, completou.
A secretária defendeu que o país combine a ampliação dos acordos comerciais com o fortalecimento da defesa comercial. “Não se trata de escolher entre abertura comercial e defesa comercial, se trata de acertar a calibragem, a sintonia fina, de maneira que nós possamos no Brasil competir em condições leais e, ao mesmo tempo, buscar ampliar e diversificar nossas parcerias comerciais, agregando valor à nossa produção”, conluiu.
