Avaliação positiva de Lula atinge melhor nível; presidente mantém liderança no 2° turno
BRASÍLIA — A avaliação positiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atingiu o melhor patamar segundo a pesquisa Nexus, encomendada pelo BTG Pactual divulgada nesta segunda-feira (14). O levantamento mostra que a parcela dos eleitores que classificam o governo como ótimo ou bom subiu de 18% para 24%, enquanto a avaliação ruim ou péssima recuou de 38% para 35%, o menor nível registrado até agora. No mesmo movimento, a desaprovação ao governo caiu para 47%, também o menor índice da série, consolidando um ambiente mais favorável ao presidente, que aparece na liderança da corrida ao Palácio do Planalto.
No principal cenário estimulado de primeiro turno, Lula registra 34% das intenções de voto, contra 27% de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os demais pré-candidatos, somados, alcançam 18% das preferências do eleitorado. Já em um eventual segundo turno, o presidente aparece com 46%, enquanto Flávio soma 44%, resultado que configura empate técnico dentro da margem de erro.
Apesar da liderança de Lula e da melhora nos indicadores de avaliação do governo, a pesquisa identifica um espaço político ainda não ocupado por nenhuma candidatura.
Segundo o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, 27% dos eleitores afirmam preferir a vitória de um candidato que não seja apoiado nem por Lula nem pelo bolsonarismo, mas os nomes hoje posicionados como terceira via somam apenas 18% das intenções de voto.
“Apesar de 27% dos entrevistados declararem que preferem ver a vitória de um nome que não fosse apoiado nem por Lula e nem pelo bolsonarismo, todos os candidatos de terceira via, somados, reúnem apenas 18% dos votos no primeiro turno”, pondera.
Na avaliação do executivo, há uma demanda eleitoral superior à oferta de candidaturas.
“Isso indica que pelo menos 9% dos eleitores não enxergam nos nomes hoje disponíveis um candidato para chamar de seu. Ou seja, no mercado eleitoral, a oferta de terceira via não atende toda a demanda disponível. Até porque muitas das ofertas ainda são bastante desconhecidas do eleitor”, completa.
Outro indicador reforça esse diagnóstico. A pesquisa mostra que 36% dos entrevistados preferem a reeleição de Lula, enquanto 32% torcem por Flávio Bolsonaro ou outro candidato apoiado pela família Bolsonaro. Já 27% desejam a eleição de um presidente que não seja apoiado por nenhum dos dois grupos políticos, o maior percentual registrado pela série para esse segmento.
O levantamento também mediu os efeitos políticos do vídeo divulgado por Michelle Bolsonaro com críticas a Flávio Bolsonaro. Sessenta e quatro por cento dos eleitores afirmam ter conhecimento do episódio e 46% avaliam que o vídeo pode prejudicar a candidatura do senador.
Para Tokarski, os impactos tendem a se concentrar entre os eleitores que simpatizam com o bolsonarismo, mas não integram seu núcleo mais fiel.
“Quando cruzamos a pergunta de impacto na candidatura de Flávio com os perfis ideológicos, chama a atenção a diferença de comportamento entre bolsonaristas convictos e bolsonaristas como alternativa. No primeiro grupo, apenas 25% veem prejuízo para Flávio, já no segundo esse percentual salta para 50%. Isso pode indicar que o vídeo ainda venha a ter algum efeito sobre a parcela que prefere Flávio a Lula, mas que não é bolsonarista raiz”, observa.
A pesquisa Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, encomendada pelo BTG Pactual, foi realizada por telefone (CATI) entre os dias 10 e 12 de julho de 2026, com 2.003 eleitores em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com 95% de nível de confiança. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07981/2026.