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Eleições 2026: Nunes Marques suspende pesquisa eleitoral que apontou queda de Flávio Bolsonaro
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Brasília — O ministro Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou nesta segunda-feira (8) a suspensão da divulgação da pesquisa presidencial realizada pela Atlas Intel. A decisão atende parcialmente a pedido apresentado pelo Partido Liberal (PL), que alegou haver indícios de direcionamento metodológico contra o senador Flávio Bolsonaro, apontado como pré-candidato da legenda à Presidência da República na eleições deste ano.

A decisão liminar ainda será levada a referendo em sessão do TSE nesta terça-feira (9).

Na representação, o PL sustentou que o questionário submetia os entrevistados a uma sequência de perguntas relacionadas ao caso Banco Master antes de aferir aspectos ligados à imagem, rejeição e intenção de voto do parlamentar. Segundo o partido, “a formulação e a ordem das questões teriam potencial para influenciar artificialmente as respostas dos entrevistados”, diz a peça apresentada ao TSE.

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada no dia 19 de maio apontou Flávio com 41,8% das intenções de voto contra 48,9% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno da eleição presidencial.

Ao analisar o pedido, Nunes Marques afirmou que há elementos suficientes para indicar, em análise preliminar, possível comprometimento da neutralidade metodológica da pesquisa. O ministro destacou que algumas perguntas “aparentam extrapolar a simples aferição da opinião pública” ao introduzir estímulos narrativos capazes de influenciar respostas subsequentes sobre intenção de voto e avaliação de imagem.

A decisão também menciona que outras 27 pesquisas registradas pela AtlasIntel na Justiça Eleitoral não utilizaram questionários semelhantes nem recursos audiovisuais comparáveis aos empregados no levantamento contestado. Para o relator, esse contraste reforça os indícios de possível desvio metodológico.

Outro ponto considerado pelo magistrado foram declarações públicas do CEO da AtlasIntel em entrevista à CNN Brasil, nas quais teria classificado informações envolvendo Flávio Bolsonaro como “extremamente graves” e potencialmente prejudiciais à viabilidade eleitoral do pré-candidato. Na avaliação do ministro, essas manifestações reforçam a necessidade de aprofundar a análise sobre eventual influência indevida na pesquisa.

Com a decisão, a AtlasIntel fica proibida de realizar nova divulgação, impulsionamento, republicação ou manutenção da pesquisa em seus canais oficiais até nova deliberação do TSE. A empresa também deverá apresentar, em até dois dias, documentação técnica complementar relacionada ao questionário, incluindo informações sobre o conteúdo audiovisual utilizado e os registros técnicos da aplicação da pesquisa.

Apesar da suspensão, o ministro ressaltou que a medida tem caráter provisório e não representa conclusão definitiva sobre a regularidade do levantamento, que seguirá sob análise da Corte Eleitoral.

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