IR: Comissão da Câmara aprova PL que isenta quem ganha até R$ 5 mil mensais
Brasília –A comissão especial criada pela Câmara dos Deputados para analisar o projeto de lei do governo que isenta de IR (Imposto de Renda) quem ganha até R$ 5 mil por mês a partir de 2026 aprovou a proposta nesta quarta-feira (16). O relatório do deputado Arthur Lira (PP-AL) também elevou de R$ 7 mil para R$ 7.350 a renda máxima que terá redução parcial de imposto.
E m conversa com jornalistas após a aprovação do texto, Lira afirmou que, “mesmo com a elevação da faixa de isenção do IR até R$ 7.350, haverá uma sobra de caixa de R$ 12,7 bilhões nos três primeiros anos”, valor utilizado para compensar a retirada do redutor para pessoas jurídicas.
O projeto será analisado pelo Plenário da Câmara em agosto após o retorno das atividade no Congresso. E depois seguirá para o Senado, onde precisa ser aprovado até 30 de setembro para que o presidente Lula possa sancionar o projeto e seu feitos passem a valer a partir de 1º de janeiro de 2026.
Arthur Lira fixou prazo até o fim do ano para manter a atual isenção de imposto para lucros e dividendos. “Com duas ressalvas: ou você realiza tudo o que já pagou de lucro e não distribuiu, ou você declara e fixa um prazo correto dessa distribuição. Dessa maneira, todos ficaram contemplados”, explicou o relator.
Lira explicou que os dividendos referentes aos anos de 2016 a 2025 não serão tributados, desde que sejam pagos até 31 de dezembro de 2025 ou declarados para distribuição futura, com base em regulamentação que poderá ser ajustada no plenário ou pelo próximo governo. “Causaria insegurança jurídica cobrar imposto sobre lucros de períodos anteriores com base em uma lei prevista para entrar em vigor em 2026”, pontuou.
A taxação de contribuintes de alta renda, com um mínimo de 10% de alíquota, é a principal fonte de compensação dos custos da isenção – do IR para quase R$ 26 bilhões – e incluirá o que eles ganham com lucros e dividendos de empresas.
Compensação de volta
Lira, que é o relator da proposta, havia retirado do texto um mecanismo para evitar que os contribuintes tivessem que pagar mais que a alíquota máxima do IRPJ (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica) na soma dessa taxação com a nova tributação da pessoa física.
O artigo se refere ao redutor da tributação mínima auferida sobre PJs. E determina que, caso se verifique que a soma da alíquota efetiva de tributação dos lucros da pessoa jurídica com a alíquota efetiva da tributação mínima do IRPF aplicável à pessoa física beneficiária ultrapassa a soma das alíquotas nominais do imposto sobre a renda das pessoas jurídicas – IRPJ e da contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL, será concedido redutor da tributação mínima do IRPF calculado sobre os referidos lucros e dividendos pagos, creditados, empregados ou entregues por cada pessoa jurídica à pessoa física sujeita ao pagamento da tributação mínima do IRPF.
O deputado disse que não havia estimativa confiável do impacto da medida e que o mecanismo seria inócuo, porque as empresas brasileiras pagam em média 21,5% de imposto (IRPJ) e não o teto de 34%.
No entanto, a Receita Federal ofereceu novos cálculos com impacto de R$ 6 bilhões para o mecanismo de compensação. Dessa forma, Arthur Lira decidiu reintroduzir a compensação no texto. Os estrangeiros, porém, poderão abrir mão do crédito se isso facilitar o pagamento complementar de imposto em seus países.
O excesso de arrecadação que for apurado com as medidas será usado para compensar eventuais perdas de estados e municípios com a renúncia fiscal e para reduzir a nova Contribuição sobre Bens e Serviços, que virá com a reforma tributária.
Voto em separado
O deputado Gilson Marques (Novo-SC) apresentou voto em separado. Ele disse que é favorável à redução de imposto, mas contra o aumento da taxação dos contribuintes de alta renda.
“Se você coloca 10% de imposto para produzir o suco de laranja, o milionário, o bilionário vai tirar do lucro dele? É sério que vocês pensam isso? Todo tributo engloba o preço de custo. Se o preço de custo fica mais caro, isso é passado para o consumidor. O suco de laranja vai ser mais caro”, criticou.
Marques fez uma proposta que compensa a redução de imposto com cortes nos fundos partidário e eleitoral, nas emendas parlamentares ao Orçamento e em supersalários, entre outros pontos.
Já o deputado Claudio Cajado (PP-BA) disse que vai sugerir em Plenário uma emenda para aumentar a contribuição social dos bancos para compensar custos. Segundo ele, com isso, seria possível aumentar a redução parcial do imposto para rendas mensais de até R$ 7.590.
Para o deputado Merlong Solano (PT-PI), a proposta atual já trará muitos benefícios para reduzir desigualdades e melhorar o desenvolvimento do país. “Isso beneficia mais de 90% dos contribuintes brasileiros, com repercussões muito positivas sobre a economia das pequenas, médias e grandes cidades, porque disponibiliza mais recursos para que as famílias possam atender às suas necessidades.”
O PL e o Novo apresentaram destaques para retirar do texto a tributação mínima dos contribuintes de alta renda. Mas a comissão manteve o texto do relator.
O deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA), presidente da comissão, lembrou que as sugestões de alterações no texto que não foram acolhidas pelo relator poderão ser debatidas no Plenário da Câmara.
O relator disse acreditar que, além da retirada da tributação sobre LCI e LCA, na votação em plenário há possibilidade de outros ajustes no texto aprovado pela comissão especial.
*Com informações de agência Câmara.
Nustargame, what’s up with that? The games are alright, but the site feels a little clunky. Needs some work, but the potential’s there. See for yourself: nustargame.