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Com críticas a Rubio, Lula fala em fortalecer relação institucional e manter diálogo com os EUA
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Brasília — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, na abertura da reunião ministerial realizada nesta manhã no Palácio do Planalto, que o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, é um “latino-americano frustrado” e não gosta do Brasil. Apesar das críticas a Rubio, à decisão dos EUA e à recomendação do USTR de taxar produtos brasileiros em 25%, Lula disse que o Brasil está aberto ao diálogo e ao fortalecimento da relação institucional entre os dois países.

“Eu já tinha falado a vocês e vou falar ao presidente Donald Trump: esse Marco Rubio não gosta da América Latina e muito menos do Brasil. Ele é um latino-americano frustrado”, disse.

O presidente também criticou a declaração de Rubio ao Senado americano, feita nesta terça-feira, de que o Brasil, assim como outros países da América Latina, conflita com os interesses dos Estados Unidos.

“É importante que eles saibam que nós não queremos guerra, mas que queremos construir a narrativa verdadeira de uma relação que já dura 201 anos. Nós queremos fortalecer nossa relação institucional com os Estados Unidos”, pontuou.

O presidente afirmou ainda que não é possível aceitar o tratamento dado pelos EUA nesta semana e que ninguém pode dizer que o Brasil se negou a negociar com os Estados Unidos.

“Desde o primeiro Twitter do presidente Trump, eu fiquei sabendo da taxação por meio do Twitter, com base em inverdades, porque não são os Estados Unidos que têm déficit com o Brasil; é o Brasil que tem déficit com eles. Se alguém tivesse que fazer uma taxação, seria o Brasil contra os Estados Unidos, e não o contrário.”

Lula afirmou que o governo brasileiro não fez bravatas, mas tentou manter o diálogo com os EUA para demonstrar a insensatez da punição aplicada ao Brasil.

O presidente disse ainda que o governo foi pego de surpresa com a recomendação dos EUA para taxar produtos brasileiros em 25%. Isso porque, no último encontro com Trump, em 7 de maio, foi estabelecido o prazo de um mês para a apresentação de uma solução conjunta a respeito da investigação contra o Brasil no âmbito da Seção 301.

“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre o Brasil e os Estados Unidos. Eu fui pego de surpresa com a decisão deles anteontem”, destacou o presidente.

Por fim, ele afirmou que irá escrever outra carta a Trump e quantos artigos forem necessários na imprensa americana e mundial para mostrar que “eles estão errados, equivocados e induzindo o mundo” a uma violência desnecessária.

Com relação às sanções comerciais, Lula afirmou que é um direito dos EUA não querer comprar produtos do Brasil, mas que o país não ficará chorando e buscará novas parcerias.

Por fim, disse que quem quiser realizar a exploração de terras raras no país precisará sentar à mesa e negociar com o governo brasileiro.

Interferência nas eleições deste ano

Sem citar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Lula voltou a chamar o adversário de “imbecil” e “traidor da pátria”. Afirmou ainda que a decisão do governo americano teve influência de Flávio, que estaria buscando interferência no processo eleitoral brasileiro ao recorrer a Trump.

“Estão tentando trair o Brasil com interesses mesquinhos e rasteiros de uma disputa eleitoral. E não há disputa eleitoral em qualquer país do mundo que possa dar valor a alguém que traia a pátria, alguém que é capaz de vender seu país por interesses mesquinhos”, acusou.

O presidente finalizou afirmando que a reunião de hoje é uma “arrumação de discurso”, porque “ninguém vai baixar a cabeça. Nós vamos continuar conversando com todo mundo”.

A recomendação do USTR, foi publicada na noite desta segunda-feira (1°), e ocorreu uma semana após Flávio Bolsonaro ter se encontrado com Trump.

Após o anúncio da nova taxação, o senador, que disputa à presidência da República nas eleições deste ano, tem afirmado na redes sociais que tratou com Trump apenas sobre a classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC), como organização criminosa.

Em vídeo divulgado nesta terça-feira, o senador disse que escreveu ao governo americano pedindo que não aplique novas taxas ao Brasil, pois isso iria prejudicar o povo brasileiro.

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