Senado envia comissão a Washington para tentar barrar tarifa de 50% imposta pelos EUA
Brasília — A comissão temporária do Senado criada para tratar das relações econômicas com os Estados Unidos fará uma missão oficial a Washington no fim de julho. O objetivo é tentar impedir a entrada em vigor da tarifa de 50% imposta pelo governo americano sobre produtos brasileiros. A taxa está prevista para começar a valer em 1º de agosto.
O presidente da comissão e da Comissão de Relações Exteriores (CRE), senador Nelsinho Trad (PSD-MS), afirmou na quinta-feira 17, após a definição da comissão temporária, que a missão tem como meta “sensibilizar” os parlamentares norte-americanos sobre os impactos da medida para a economia brasileira. “Queremos construir uma ponte de diálogo em um momento em que os canais diplomáticos tradicionais enfrentam dificuldades”, afirmou.
À Gazeta Brasílis Trade defendeu que o governo americano dê um prazo de pelo menos 90 dia. Na avaliação do senador, esse período seria suficiente para a empresa se organizarem.
“A intenção é tentar estender o prazo das tarifas para que os empresários possam se organizar e a classe produtiva, especialmente do setor agropecuário, tenha tempo para se reequacionar”, disse.
“O setor do agro é mais maleável que a indústria. A indústria trabalha com pedidos pré-formatados, muito específicos, enquanto o agro pode, eventualmente, redirecionar sua produção para outros mercados. Mas, para isso, é necessário tempo… algo como 90 dias. Nosso objetivo é mostrar aos dois parlamentos que precisamos baixar a temperatura para que as coisas avancem”, completou.
Trade defendeu ainda que é preciso que é necessário ser mais pragmático no sentido de tentar resolver as consequências econômicas que poderão advir para o nosso Brasil. “Qualquer caminho que aumente a tensão, na minha avaliação, não é o mais apropriado nem oportuno. A diplomacia é a arte do diálogo, do entendimento. E eu penso que o presidente Lula precisa exercitar isso, porque ele tem histórico de saber dialogar. Deve investir nisso, e não em uma linha de confronto ou conflito, que não leva a nada e só acirra uma situação que já está bastante tensa”.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS), também integrante da comissão, durante o anuncio da comissão temporária, cobrou uma atuação mais firme por parte do governo brasileiro: “Precisamos de uma negociação mais assertiva. Essa tarifa compromete setores importantes como o agro e a indústria”.
Composição da comissão
A comissão temporária externa (CTEUA) é composta por oito senadores, entre titulares e suplentes. Veja os nomes:
Presidente:
- Nelsinho Trad (PSD-MS)
Titulares:
- Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado
- Tereza Cristina (PP-MS)
- Fernando Farias (MDB-AL)
Suplentes:
- Astronauta Marcos Pontes (PL-SP)
- Esperidião Amin (PP-SC)
- Rogério Carvalho (PT-SE)
- Carlos Viana (Podemos-MG)
A viagem está marcada para os dias 29 a 31 de julho, última semana do recesso parlamentar.
Objetivos da missão
O requerimento de criação da comissão (RQS 556/2025), apresentado por Nelsinho Trad, foi aprovado pelo Plenário no dia 15 de julho. A comissão terá como missão representar o Senado junto ao Congresso dos EUA e defender os interesses estratégicos do Brasil em áreas como:
- Comércio exterior
- Investimentos
- Cadeias produtivas
- Agricultura
- Segurança jurídica
Nelsinho Trad alertou que setores como o de frigoríficos avaliam suspender exportações de carne bovina aos EUA devido à nova taxação, enquanto outros segmentos econômicos também demonstram preocupação.
A criação da comissão foi resultado de articulação entre a Presidência do Senado e a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, diante da escalada da guerra comercial entre Brasil e Estados Unidos.
A missão é considerada suprapartidária, institucional e estratégica, e visa promover o diálogo direto com parlamentares americanos para tentar reverter ou suavizar as novas tarifas.
*Com informações de Agência Senado.