Análise: Lula entra no xadrez do STF, mas a crise do caso Master está longe do xeque-mate
BRASÍLIA— Após o pedido de afastamento do diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, feito pelo ministro André Mendonça, o presidente Lula publicou neste quinta-feira (9), no “X” (antigo Twitter) um pedido de quebra “completa” do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master.
Até então, Lula mantinha-se distante do episódio. Sua entrada no debate ocorreu por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), que solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão do afastamento de Andrei Rodrigues e o encaminhamento da questão ao Plenário da Corte.
O desfecho do caso porém, ainda está longe do “xeque-mate”. A crise ganhou novo contorno com a decisão do ministro Flávio Dino, que suspendeu a liminar, acolhendo o pedido apresentado pela defesa de Andrei Rodrigues, e ignorando o prazo de 72h dado pelo presidente do STF, para que Mendonça se manifestasse sobre o pedido de suspensão protocolado pela AGU.

No âmbito da atuação presidencial, observa-se que Lula optou por intervir por vias institucionais, por meio da AGU, o que evita um envolvimento direto de natureza política e mantém a disputa no campo jurídico-processual.
Quanto ao pedido de quebra dos sigilos das investigações do caso Master, a medida está correta. É preciso que haja transparência em todo o processo. Se o sigilo de Alexandre de Moraes foi revelado, o dos demais citados ou investigados também precisa vir à luz, inclusive o do senador e candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL), que até o momento não prestou devido esclarecimento sobre os valores recebidos de Daniel Vorcaro.
Não é do interesse do povo um processo minado por disputas políticas dentro de uma instituição que tem como premissa a proteção da Constituição.
Se Moraes e Mendonça são o epicentro da crise, que Fachin puna os dois: 1°) fim ao inquérito das Fake News, que em 7 anos tomou proporções insustentáveis sob a relatoria de Moraes, e investigação contra ele pelo envolvimento com Daniel Vorcaro; 2°) afastamento de Mendonça da relatoria do caso Master, uma vez que o ministro também teve encontros com o investigado.
Não há soluções simples para problemas complexos. Por essa razão, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, precisa tomar uma atitude o quanto antes e colocar um freio de arrumação para preservar a credibilidade da Suprema Corte perante a opinião pública e os demais poderes.